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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Um Dia para Benito Barros

Regina Barros concedeu entrevista ao Macau em Dia falando sobre sua amizade com Benito Barros e como será o "Dia de Benito", uma homenagem ao grande Imperador da Casqueira.
 por Alex Gurgel | jornalista
alexgurgel@com-texto.com

Capitaneado pelas jornalistas Regina Barros e Dorotéa Dantas, um grupo de amigos resolveu fazer uma homenagem ao saudoso Benito Barros, durante todo o dia 21 de abril, data que se comemora seu natalício. O convite imperial para a grande festa já foi espalhado por todo Império da Casqueira e o povo conclamado a participar na Praça da Conceição. Na ocasião, ainda serão homenageados o Padre Penha e o Maestro Castro.

No início das nossas trocas de e-mail para a realização de um texto sobre o Dia de Benito Barros, a jornalista Regina Barros foi logo alertando: “Alex, antes de qualquer coisa quero dizer que não tenho muita intimidade com o lado de cá do balcão. A condição de ‘entrevistada’, pra ser bem sincera me deixa até um pouco intimidada, mas, a causa é nobre e vamos lá. Do meu baú de lembranças e saudades só prometo sinceridade”.

Regina Barros ver os jornalistas como contadores de histórias. Desde criança ela gostava de ouvir e contar histórias. No movimento de Bandeirantes, em Macau, ela costumava ser indicada como “relatora” da patrulha para redigir as atas de reuniões e acampamentos. “Acho que aí já morava a jornalista que só foi tomar consciência disso alguns anos depois na adolescência, graças ao Padre Penha, cuja memória também reverencio”.

Segundo Regina, certa vez, Padre Penha ouviu a própria Regina dizer que faria vestibular para arquitetura e contestou com veemência afirmando que sua vocação era o jornalismo. “Pelo menos nisso segui a orientação dele e fui cursar na UFRN em meados dos anos 70. Graças a Deus, Alex, pois ruim de cálculo como sou se fosse arquiteta muito projeto já teria desabado por aí”, completou.

Regina Barros passou pelas redações dos jornais Tribuna do Norte e Diário de Natal. Também atuou na rádio Salinas, em 1988, junto com Vilma Pinheiro, onde elas criaram um programa que marcou uma época, se chamava “Mulher em Debate”. Em 1993, na companhia de Bosco Afonso e Degas, foi criado o Jornal de Macau que também marcou a vida da cidade.

Hoje, Regina Barros está trabalhando na Agência de Comunicação da UFRN.  “Sinto muito prazer no exercício do jornalismo, isso corre nas veias, você sabe disso. Costumo dizer que sou uma jornalista provinciana, mera contadora de histórias, que busca ser fiel aos fatos e tem plena consciência da responsabilidade social que deve nutrir a essência do bom jornalismo”, disse Regina.

Conte como é esse amor por Macau que você nutre.
Regina Barros: Nas pequenas cidades do interior havia um costume antigo de enterrar os umbigos dos recém-nascidos nos currais para trazer sorte aos bebês. Penso que o meu foi enterrado tão profundamente no curral de seu Luiz Bezerra que já saí de Macau várias vezes, mas Macau nunca saiu de mim. Minha vida conta muitas idas e voltas para a Ilha que me viu nascer. Como se fora uma árvore acredito que devemos florescer onde Deus nos plantou. Sou bastante apegada à cidade, ao seu povo e suas tradições. Fico feliz com suas conquistas, suas alegrias e sofro bastante com suas dores, suas derrotas. Às vezes me desencanto, também. Hoje, com uma carga maior de saudade volto a cantarolar a ‘marcha regresso’, disposta a viver nova temporada em minha cidade. Na bagagem, muitas idéias, alguns projetos. Se Deus permitir tenho algumas missões ainda a cumprir. É que chegou a hora de ficar mais perto da minha mãe, Dona Rosarinho, por outro lado, não gostaria de ver o sonho do Império da Casqueira cair na vala comum do esquecimento. Sobre isso, vamos ver o que é possível ser feito.

Descreve um pouco da sua história ao lado de Benito. Como o conheceu?
Regina Barros: Minha amizade com Benito nasceu nos dias da feliz infância na Rua Benjamin Constant. Nossas casas eram vizinhas e partilhamos as mesmas salas do Grupo Escolar Duque de Caxias. Naqueles anos, aprendemos a gostar da política com as visitas do grande líder Aluízio Alves que se hospedava no sobrado de Seu Afonso Barros, pai de Benito. Ali ensaiamos os primeiros discursos em palanques improvisados defendendo a bandeira verde da cruzada da esperança. Depois, ele foi estudar em Recife, eu em Natal, nos distanciamos. Voltamos a nos encontrar no final dos anos 70, outra vez em Macau, no Campus Avançado da UFRN. Em 1980 participamos da criação do PMDB, ainda na luta contra a ditadura. Em 1982, na campanha histórica de João Evangelista para prefeito, me empenhei na eleição dele para vereador e a história é longa. O fato é que, desde sempre, construímos uma amizade muito afinada, muito próxima. Isso não quer dizer que concordávamos em tudo, não, quem nos conhece sabe que tínhamos verdadeiros ‘pegas’, que felizmente logo eram superados. Muitos ainda acreditam que somos parentes em razão da afinidade e do mesmo sobrenome. Gosto de esclarecer, genealogicamente não somos da mesma família. Já nossas almas, eu creio, certamente são irmãs.

Como ele vivia? Ele gostava de que? O que detestava? Com que ele ficava triste ou alegre?
Regina Barros: Desculpe, mas ainda não é fácil falar ou escrever sobre Benito depois que ele partiu. É estranho, sei lá, parece que estou travada, bloqueada, é difícil. Um dia isso será superado e aí pretendo resgatar a história desse ser humano fantástico, filho digno de Macau que amou sua terra como poucos e viveu franciscanamente distribuindo generosidade em cada esquina.  Por enquanto posso dizer que ele, embora pacífico, era um bravo que não temia a vida, cortejava a morte e esnobava a solidão. Era dono de idéias brilhantes, revolucionárias, tão pouco compreendidas. Parecia rude, mas era um grande sedutor. Benito sabia amar intensamente. Detestava a mentira e a hipocrisia, abominava a desonestidade, se entediava com a mediocridade e se amargurava com a traição.

Numa terra onde tem intelectuais do gabarito de Gilberto Avelino e Vicente Serejo, qual o legado deixado por Benito Barros?
Regina Barros. Benito era uma reserva intelectual em nossa Macau e no Rio Grande do Norte. Sua profunda paixão pelos livros é reconhecida bem além das fronteiras do velho moinho. Ele consumia centenas de livros que chegavam dos quatro cantos do mundo e se emocionava com cada um deles, como se fossem filhos. Deixou uma biblioteca rara de valor inestimável. A partir de 1997 se lançou como autor. Naquele ano, sofregamente escreveu a primeira edição de ‘Macauísmos’ após uns poucos meses de exaustiva pesquisa no Fórum Municipal. Gostou da experiência, embora tentasse reduzir a relevância do próprio trabalho, num gesto bem típico do seu espírito modesto. Em 1998, num rasgo de genialidade criou a Imperial Casa Editora da Casqueira, que além da sua própria obra, revelou outros talentosos escritores macauenses, que sem a proteção do ‘Imperador’ dificilmente conseguiriam publicar os seus livros. Esta é uma inquestionável botija que Benito deixou sobre a terra. Mas não foi só isso, Alex.  Para um pequeno documentário que estou fazendo sobre Benito o professor Ivonildo Rêgo,  reitor da UFRN, deu uma declaração que passo em primeira mão para você. “Reconheço que a manutenção da presença da UFRN em Macau se deve fortemente ao esforço de Benito. Ele estava a todo o momento insistindo, lutando, ajudando a fazer o Campus de Macau, que esteve durante algum tempo praticamente desativado, e graças à luta de Benito e à sua presença em Macau a Universidade pode retornar em outra dimensão, prestando incomensurável serviço a toda região”, afirmou o reitor. Esse, portanto, é outro patrimônio que ele deixou em solo macauense. No entanto, embora reconhecendo o valor da sua obra, do seu acervo literário e da sua luta pelo Campus de Macau, para mim a maior herança que Benito Barros deixa em Macau é o seu exemplo de vida íntegra pautada na simplicidade, autenticidade, honestidade, generosidade, solidariedade e espírito público. Esse é o legado que nem a traça ou a maresia haverá de corroer.

Qual a importância de Benito para Macau?
Regina Barros: Em minha opinião quem melhor traduziu a importância de Benito nesta vida foi Padre Murilo durante seu velório no Lions Clube. Naquela tarde triste, acinzentada, fiquei comovida ao ouvi-lo dizer: “A Revolução Benito está a 300 anos de nós. Talvez daqui a trezentos anos os macauenses compreendam os sonhos, a voz, o grito, a ação, o trabalho, a inteligência e a poesia de Benito Barros”. Grande verdade! Como amiga admito que não foi tão fácil compreender claramente as idéias de Benito. Confesso que muitas vezes eu me esforçava muito para chegar perto da sua genialidade que alcançava um patamar muito além da minha limitação. Digo, sem receio nenhum de estar exagerando, ele era simplesmente fantástico e gastava toda a sua energia vital, seus bens materiais ‘conspirando’ a favor de Macau. A cidade inteira é testemunha disso.

Passado quase cinco meses de sua morte, qual o sentimento Benito deixou em Macau e como as pessoas o ver?
Regina Barros: Sobre isso recorro às palavras do nosso amigo Horácio Paiva, outra reserva moral e intelectual de Macau. Logo após a morte de Benito ele publicou: “A intensa comoção provocada pela morte do inesquecível amigo Benito Barros mostrou o quanto ele era querido em nossa comunidade. Suponho que mais do que ele próprio sabia. A sua dimensão social e política agigantou-se. Provou que a sua voz - denunciando erros, injustiças e hipocrisias políticas - não era uma voz que clamava no deserto. A cidade, que nem sempre se manifestava, escutava-o em silêncio, mas atentamente. Se não queria o confronto, se não adotava a polêmica de suas posições - por acomodação ou por parecer-lhe inadequadas, ora certas, ora erradas -, entendia, porém, necessário o açoite de seu agitado e profético clamor”. Horácio tem razão. Embora nem todos reconhecessem ele era singular porque não se rendia diante de nenhuma forma de poder autoritário, dispensava favores e jamais se deixou corromper.  Além disso, diferente de nós, estava sempre de plantão em Macau, ajudando sua gente, elevando sua voz no combate às injustiças cometidas principalmente contra pessoas indefesas ou contra ações danosas ao meio ambiente, isso até o último dia de sua vida. E agora, quem há de? Talvez por isso, após sua morte, em cada esquina ouço uma história bonita, um soluço, uma dor de quem perdeu um filho, um pai, um irmão, um amigo, o herói preferido.

Se o Império da Casqueira não existisse seria preciso inventá-lo somente para Bena I reinar absoluto?
Regina Barros: Vou lhe dizer uma coisa Alex, sou uma grande admiradora de Vicente Serejo. Suas crônicas são belíssimas. Então, quando ele escreve sobre Macau me deixa toda arrepiada. Mesmo saindo da cidade ainda criança consegue ainda hoje traduzir como ninguém a essência dos dias antigos na ilha que amamos. E foi Serejo que - sem nunca ter encontrado Benito pessoalmente - traduziu para nós a idéia da criação do Império da Casqueira. “Ele não cabia no mundo. Era maior. Por isso criou o Império da Casqueira, reinado para ele guardar os seus sonhos e as suas utopias”.

A Casqueira era a Pasárgada de Benito?
Regina Barros: Digo que muitas pessoas não saem de Macau por falta de oportunidade, não era o caso de Benito. Ele poderia ter vivido em qualquer lugar deste planeta, morar e morrer em Macau foi uma escolha dele em razão da intensa paixão que sentia pela cidade. No entanto, embora o admirasse, a sociedade macauense não o compreendia e de certa forma o rejeitava. Em nossas conversas chegávamos à conclusão de que muitos queriam o seu apoio desde que ele ficasse à distância quando os objetivos eram alcançados. Isso doía muito algumas vezes. A verdade é que Macau não soube aproveitar o potencial de Benito. Então, para nos salvar dessa angústia diante da impotência para resolver as grandes aflições da cidade, criou o Império da Casqueira, refúgio paradisíaco onde tinha total liberdade para buscar a felicidade bem longe da hipocrisia e do preconceito. Para esse refúgio, com boa dose de ironia, claro, levou os amigos com quem distribuiu honrosos títulos de nobreza. Hoje, é nessa ilha que nos refugiamos para não morrer de saudade.

Como está o processo para se criar a Fundação Benito Barros? Como será essa entidade?
Regina Barros: Na verdade, Alex, a Fundação Benito Barros ainda não passa de um sonho. O que existe de concreto é um grupo de amigos que defende a criação de uma entidade que possa preservar a memória de Benito na cidade que ele tanto amou. Esse, sem dúvida, era o desejo dele. Tenho depoimentos de várias pessoas às quais ele revelou a intenção de criar uma Biblioteca que se chamaria Américo de Oliveira Costa. A família de Benito é sensível a idéia, mas isso leva um tempo para o amadurecimento e levantamento das reais possibilidades não apenas da criação, mas de manutenção. Evidentemente, essa não é uma tarefa tão fácil, mas vamos tentar. Por enquanto, posso dizer que bem ao estilo do nosso amado Bena I e Único, está criada a Casa Imperial da Casqueira – Sociedade dos Amigos de Benito, com o objetivo de agregar todos os súditos na reconstrução do glorioso Sólio Imperial. Todos os que amavam Benito estão convocados.

Como surgiu a idéia de fazer o Dia de Benito? Quem está ajudando nessa empreitada?
Regina Barros: A idéia dessa celebração, devo dizer, é pura invenção de Dorotéa Dantas, nossa querida cigarra, que se desmanchava de amores pelo Imperador mesmo sem ele dar muito cabimento. Logo nos primeiros dias após sua morte ela chegou chorosa me conclamando para fazer uma homenagem a Benito na data do seu aniversário. Segundo ela, Tiradentes que nos perdoe, mas 21 de Abril agora é Dia de Benito na Terra do Sal. Fomos então reunindo diversos amigos em torno da idéia que foi acolhida e está dando certo. Na colaboração direta para a realização do evento podemos citar Djane, Daniel Násser, Chico Paraíba, Hailton Marques, Jorge Luiz, Batelão, Fernando Lopes, Daniel Dantas,Vilma Pinheiro, Manolo, Zé Antonio Menezes, Genival, Haroldo, Melo, Marquinhos Show, Fábio da Filarmônica, Marcos Oliveira, João e Celso Evangelista, Isabel Pelinca, João Vicente, Cláudio Guerra, Rosário Guerra, Giovana Paiva, Elson Biô, Reginaldo, Edinho, Silvinha e Aleuda Santos, além, claro, dos familiares de Benito. Teremos então um dia inteiro para celebrarmos a memória de Benito, começando alegremente nas primeiras horas com uma alvorada pela Banda de Música. Logo cedo levaremos flores para o Imperador em sua nova morada. A partir do meio dia a festa “Naquela Mesa tá Faltando Ele”, no Café da Djane, com exibição de vídeos e fotos do homenageado. Às 16 horas, na Coluna da Praça a homenagem pública com música, poesia, documentário, depoimentos em honra da memória desse querido filho da terra salineira. Não sou habituada a organizar eventos, por isso convoco a todos que desejarem que, por favor, se engajem na organização dessa festa. Agradeço sua colaboração, Alex e a todos os blogueiros que se empenham na divulgação do Dia de Benito e aproveito para convidar toda Macau.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Macau chorou por Benito Barros

Fotos e texto: Alex Gurgel
O sofrimento da família durante o velório do professor Benito comoveu a cidade de Macau.

 A cidade ficou comovida com o velório de Benito Barros. Nessa segunda-feira sem graça, a população macauense foi prestar a última homenagem ao seu mais ilustre poeta-escritor da contemporaneidade. A missa de corpo presente foi celebrada pelo Padre Murilo e assistida por centenas de pessoas que lotou o salão do Lions Clube de Macau.

Padre Murilo exaltou as qualidades de Benito Barros, dizendo que o professor estava há 300 anos adiante no tempo em relação as pessoas comuns. “Benito estava muito a frente do seu tempo. Além de um um homem muito inteligente, ele era um boêmio que gostava de estar perto do povo humilde de Macau”, disse durante a missa.

Com a bandeira de Macau sobre o caixão, o féretro saiu do Lions Club e percorreu as ruas de Macau, acompanhado da Filarmônica Monsenhor Honório que tocava dobrões fúnebres em homenagem à Benito Barros, que por onde passava era saudado por calorosos aplausos. Na frente do cortejo, a voz emocionada da amiga Dorotéa Dantas ecoava pelos becos macauenses: “Viva o Imperador!”

Para o jornalista Bosco Afonso, Macau perdeu uma de suas grandes inteligências e a sua intelectualidade ficou mais pobre com a morte de Benito Barros. “Foi uma perda imensurável para a educação, para a política e para a poesia, enquanto o meio ambiente e a luta pela igualdade social perdeu o seu maior baluarte com o passamento do macauense ilustre”, completou Bosco.

Família rezando e fazendo as últimas homenagens à Benito Barros.

A família junto a população macauense orando por Benito.

Uma multidão foi até o Lions Clube para dar o derradeiro adeus à Benito Barros.

Banda Filarmônica Monsenhor Honório tocou dobrões funebres durante a missa e ao longo do caminho, acompanhando o féretro até o cemitério.

Foto de Benito retirada do blog Macau em Dia foi usada pelas pessoas em luto para homenagear o professor.

O editor do blog fez várias fotos de Benito durante o ano e foram publicadas no Macau em Dia. Os universitários fizeram homenagens com camisetas.

Enquanto tocavam as marchas fúnebres, alguns músicos se emocionaram.

Por volta das 17 horas, o corpo deixa o Lions Clube coberto com a bandeira de Macau.

Uma multidão acompanhou o carro fúnebre até o cemitério Monsenhor Honório.

Amigos e familiares foram ao lado do caixão pelas ruas de Macau.

Momento em que o caixão de Benito Barros é enterrado no jazigo da família.

Uma pequena multidão deu o último adeus à Benito Barros fazendo orações.

Discursos foram proferidos e poesias declamadas na sepultura de Benito, numa derradeira homenagem.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Saúde deficitária de Macau pode ter agravado o quadro de Benito Barros

Reportagem e foto: Alex Gurgel
Falta de assistência médica adequada no hospital Antônio Ferraz, de Macau, agravou o quadro de saúde do professor Benito Barros.

O sociólogo Benito Barros pode ter sofrido de negligência médica por mais de 3 horas, esquecido dentro da enfermaria do Hospital Antônio Ferraz, em Macau. De acordo com a jornalista e produtora cultural, Dorotéa Dantas, fez uma ligação para seu amigo Benito Barros e outra pessoa atendeu ao telefone dizendo que Benito estava desacordado numa cama, no hospital.

Dorotéa conta que chamou o amigo Fernando de Zé Lopes e foram direto para o hospital quando se depararam com o professor deitado numa cama às 02 horas da tarde. A jornalista conta que o médico de plantão, doutor Marcos, deu à Benito Barros um medicamento pra pressão, sem desconfiar que o professor já estava dando sinais de um Acidente Vascular Cerebral  (AVC).

Segundo Dorotéa, o doutor Wilson chegou ao hospital para fazer um parto de uma paciente quando foi solicitado pela jornalista a olhar o estado de saúde de Benito Barros, que constatou imediatamente que o professor estava sofrendo de um AVC. “Eu dei escândalo quando vi meu amigo Benito sem o tratamento adequado”, disse.

“Quando o doutor Wilson detectou o AVC, a gente tinha que levar Benito para Natal”, relatou, porém Dorotéa percebeu que a única ambulância disponível não tinha para-brisas e nem retrovisor. Preocupada com a situação do amigo Benito Barros, Dorotéa autorizou que a ambulância sucateada transportasse o professor macauense para Natal.

Enquanto Dorotéa ligava para todos seus amigos tentando salvar o professor e amigo, chegaram ao Hospital Antônio Ferraz o secretário de saúde Doutor Diá acompanhado de Chico Paraíba e Arnaldo Marcelino. Nervosa, Dorotéa voltou-se para o secretário e desabafou indignada: “A culpa é sua doutor Diá”...

O Macau em Dia Ligou para o Hospital Pomater e constatou que o estado de saúde do professor Benito é extremamente difícil, do ponto de vista médico, sendo um quadro irreversível. Mas, os médicos ainda precisam fazer alguns testes durante a noite para declarar a “morte cerebral”. Nesse momento, Benito Barros está em “coma induzido”, respirando por aparelhos e sem reflexos.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Benito Barros será velado no Lions Clube de Macau

Foto e texto: Alex Gurgel
Benito Barros deixa Macau órfã de mais um intelectual

Benito Barros está morto. O anúncio oficial foi feito no final da manhã desse domingo, dia 26 de dezembro. Com dificuldade para andar, o padre Penha foi até o hospital para fazer a unção dos enfermos (que antigamente se chamava extrema unção).

De acordo com a irmã do professor Benito, Benize Barros, a família vai doar os órgãos como rim, fígado, córnea e coração. Por causa da doação, o corpo do professor Benito Barros deverá chegar à Macau durante a noite de hoje e será velado no Lions Clube de Macau.

Segundo a jornalista Regina Barros, que está cuidando dos preparativos para o velório em Macau, o sepultamento acontecerá pela manhã se o corpo chegar à Macau no início da noite de Hoje. “Se o corpo de Benito chegar em Macau às 10 da noite ou mais, faremos o enterro na parte da tarde dessa segunda-feira”, completou Regina.

“Benito gostaria que seu coração fosse jogado na maré de Macau”, disse Benize, mas como o coração será doado, ela pede às pessoas que escrevam suas lembranças de Benito Barros em dois pedaços de papel para que um papel seja jogado na maré e o outro entregue a família. “Será um ato simbólico. Os papéis devem ser pequenos para não poluir o rio”, disse Benize, acrescentando que esse ato será em frente a casa onde morava Banito Barros.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

30 dias sem Benito Barros

Benito Barros, 1° e único Imperador da Casqueira.

Texto Alex Gurgel

Hoje completa um ciclo fúnebre: 30 dias sem a presença do professor, sociólogo, poeta, escritor, historiador e um macauense apaixonado pela Terra do Sal, onde imperava absoluto na ilha da Casqueira, sua Pasárgada encantada. A missa de trigésimo dia acontece na Matriz de Nossa Senhora da Conceição, na boquinha da noite , lá pelas 19 horas.

A jornalista, agitadora cultural e amiga de Benito, Dorotea Dantas, pretende institucionalizar o dia 21 de abril, em Macau, como um dia para celebrar a memória de Benito Barros. “Esse é o dia em que o Imperador Benito da Casqueira nasceu. Vamos fazer uma grande festa para comemorar seu nascimento. Macau não pode esquecer os ensinamentos de Benito”, disse.

Algumas passagens na vida do professor Benito Barros foram registradas pelo professor, colega da UFRN e amigo João da Mata:

"Aconteceu uma parceria entre Benito e o editor do Sebo Vermelho, Abimael Silva, para reimprimir o Almanaque de Macau. O livro não saiu com as cores e textura originais. Benito simplesmente guilhotinou a metade dos exemplares que lhe era destinado.

Uma vez tomando conta de um Bar, o fornecedor de cerveja lhe pediu os cascos. Ele disse que não podia entregar, pois ainda estavam cheios. Com a insistência do fornecedor, Benito não teve dúvidas: Esvaziou todos os cascos derramando na rua e devolveu as garrafas vazias".

Um poema de Dorotea Dantas em homenagem à Benito Barros pela passagem do 30° dia de falecimento.

Oh tormento
A Casqueira padece

Sem imperador
Impera a dor

Ilhada estou
Sozinha ilha
Sem o meu Imperador.

Oh... Que dor, que dor!

Benito Maia Barros VIVE!
Salve o dia 21 de abril

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Professor Benito Barros foi operado, mas passa bem em Natal

Foto e reportagem: Alex Gurgel
O professor e socióloco Benito Barros passou por cirurgiar no celebro, mas passa bem na UTI da Promater, em Natal.

O intelectual macauense Benito Barros sofreu uma de isquemia cerebral (parecido com AVC) na noite de ontem e se submeteu a uma cirurgia no Hospital Promater, em Natal, para tentar retirar uma espécie de coagulo do cérebro. A situação de Benito Barros é considerada estável. Na tarde dessa sexta-feira, ele será transferido para a UTI II da Promater, sem risco de morte.

Macauense, ex-vereador, sociólogo, professor universitário, poeta, escritor e frequentador de Djane, Benito Barros é um dos maiores conhecedores da história políticas de Macau. Autor do livro Macauísmos, contar a história do município a partir da década de 50.  Benito ainda escreveu outros títulos como “Cardume de Sonhos”, “Cemitério de Pipas”, “Requém para o Infinito”, “Um ser tão...”, entre outros.

Benito é um assíduo leitor do blog e fazia questão de colaborar com sua opinião polêmica sempre que  necessário. Durante as últimas eleições, ele declarou seu votos aos filhos de Macau que eram candidato, sendo Zé Filho para deputado estadual e Junior do Sindicato para federal. Ainda essa semana, ele participou da nossa “enquete natalina”.

O blog Macau em Dia continuar colhendo informações em Natal sobre o estado de saúde do professor Benito Barros e vai repassar para seus leitores ainda hoje.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Maré destrói Calçadão em Camapum

Foto: Cláudio Gia
Em entrevista exclusiva ao Macau em Dia, professor Benito Barros (em novembro passado) disse que o mar continuaria avançando em Camapum.

Por Alex Gurgel
jornalista | alexgurgel@msn.com

Alardeada como uma das principais bem-feitorias administrativas do prefeito Flávio Veras em Macau, as obras realizadas na Praia da Camapum para conter o mar não durou nem seis meses. Nessa terça-feira, o mar de Camapum mostrou sua força e começou a destruir as escadas feitas pela Prefeitura de Macau. E nem começou as fortes águas de março, quando a ressaca do mar é bem maior.

Em novmembro do ano passado, o blog Macau em Dia entrevistou o professor Benito Barros que já alertava que o avanço do mar em Camapum iria continuar. Naquela ocasião, o professor Benito Barros, acreditava que a barreira de contensão que estava sendo feita pela prefeitura para segurar o avanço do mar não iria resolver o problema. “Eu creio que está obra seja pior", disse. 

A solução encontrada pelo professor Benito Barros para frear o avanço do mar seria o surgimento da antiga Ilha de Manoel Gonçalves, que hoje é um banco de areia, somente possível ver na maré baixa. “Eu creio que uma cortina de pedras depois do barranco de areia fará ressurgiu a velha ilha de Manoel Gonçalves, que era uma proteção natural existente há anos atrás”, disse Benito em entrevista ao blog.

Veja matéria feita com o professor Benito Barros:  AQUI

segunda-feira, 23 de maio de 2011

UFRN inaugura espaço Benito Barros em Macau

Foto: Rodrigo Afonso
Familiares, autoridades, professores e amigos no descerramento
da placa de inauguração do espaço Benito Barros da UFRN em Macau
Da Redação | pvmacau@gmail.com 

No último sábado, o reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), José Ivonildo do Rêgo, inaugurou a ampliação do Centro Administrativo, área de convivência e Residência Universitária da Secretaria de Educação a Distância, em Macau, que recebeu o nome do professor Benito Barros, em reconhecimento à importância do trabalho dele pela educação superior macauense.

De acordo com a assessoria de imprensa da UFRN, o investimento no Campus de Macau foi de R$ 407.017,57, que  possibilitou a construção de uma sala de reuniões, secretaria, recepção, coordenação, depósito, duas áreas de circulação, dois banheiros, área de convivência, dois quartos, dois banheiros e uma cozinha. 

De acordo com seu discurso, proferido durante a inauguração, o reitor José Ivonildo do Rêgo reafirmou que as obras irão proporcionar maior comodidade e qualidade no ensino para estudantes e servidores da Secretaria de Educação a Distancia (Sedis) no campus de Macau. “O professor Benito foi a pessoa que mais lutou para a instalação dessa unidade da UFRN em Macau”, disse.

Para o jornalista Bosco Afonso, o professor Benito Barros tem todos os méritos para receber essa homenagem que a UFRN está prestando, porque foi a pessoa que mais defendeu uma educação de qualidade em Macau. “É uma honra para Macau ter um filho como Benito Barros, professor e poeta, que muito contribuiu pela educação superior dos nossos conterrâneos”, ressaltou.

Placa que nomeia o novo espaço da UFRN em Macau

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Prefeitura de Macau tenta pagar despesas do velório de Benito Barros

Saudoso professor Benito Barros.

Texto: Alex Gurgel
 jornalista - alexgurgel@msn.com

Demonstrando pesar, o prefeito de Macau, Flávio Veras, decretou luto oficial por três dias no município pela morte de Benito Barros, ex-vereador, sociólogo, professor universitário, poeta e escritor. Como um meticuloso político, o prefeito tentou fazer média com a família Barros, se propondo a pagar as despesas do funeral.

Após a morte do Imperador da Casqueira, o seu irmão, Barrinhos (Afonso Tanindon Barros Filho) foi até a funerária São José, em Macau, para pagar as despesas do velório e sepultamento. Quando lá chegou, ele foi surpreendido: Toda a despesa já havia sido debitada à Prefeitura Municipal de Macau, por ordem do prefeito Flávio Veras.

Ao tomar conhecimento da decisão, sem a anuência da família, Barrinhos agradeceu ao proprietário da Funerária São José e disse que não aceitava tal oferta: "Ele, Benito, deixou reservas financeiras e a família tem como arcar com todas as despesas do seu funerário”, disse Barrinho.

“Agradeço a gentileza do prefeito, mas diga a ele que pode usar esse mesmo dinheiro para mandar consertar as ambulâncias do município e assim atender melhor a todas as pessoas que precisarem", completou o irmão do Imperador.

Apesar dessa "gentileza", o prefeito Flávio Veras sequer compareceu ao velório do professor Benito Barros.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Substituindo Benito Barros

Professor Luis Bouquillard, coordenador interino do Campus da UFRN em Macau.

Por Alex Gurgel | jornalista
 alexgurgel@msn.com

Como se fosse fácil substituir uma das maiores cabeças de Macau! O coordenador interino do Campus em Macau, da Universidade Federa do Rio Grande do Norte, Luis Bouquillard, passa boa parte do tempo justificando que está substituindo o professor Benito Barros apenas na direção da UFRN. “É uma honra dar continuidade ao trabalho do professor Benito Barros”, declarou.

Luis Bouquillard tem 40 anos, nasceu em Alto do Rodrigues, mas mora em Macau desde sua adolescência. Foi funcionário da Henrique Large até passar no vestibular e ir morar em Natal. Depois de formado, voltou para Macau. Luis é graduado em Biblioteconomia, com especialização em gestão administrativa e “um cara apaixonado por Macau” em suas palavras.

O coordenador não se esquiva da pergunta que não se cala e mexe com a curiosidade de todos: como é substituir Benito Barros? “De certa maneira, é uma pergunta incomoda porque ninguém consegue substituir um ícone com foi Benito Barros. A gente fica com aquela responsabilidade de que dê tudo certo. Vamos continua com o trabalho que ele deixou no Pólo de Macau”, disse Luis.

Atualmente, não há aulas presenciais no Campus de Macau. Desde 2005 que a UFRN proporciona cursos de graduação a distância. Hoje, a UFRN em Macau tem quatro cursos funcionando: Física, Química, Matemática e Geografia, de Licenciatura. E no Bacharelado ainda tem os cursos de Administração Pública. Além de uma especialização (pós graduação) em Gestão Pública, atendendo aproximadamente 500 alunos em Macau e Região do Vale do Assú.

Para o segundo semestre, o professor Luis Bouquillard avisa que haverá uma oferta maior de cursos da graduação que são Educação Física, História e Pedagogia. “Quero deixar bem claro que é apenas uma expectativa. Os cursos ainda dependem de uma regulamentação do MEC que está em andamento”, explicou o professor.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Um ano sem Benito Barros

Professor Benito Barros.

“Escrever é o momento mágico que nos transforma em homens e em deuses. Escrevo como forma de catarse. Eu me considero uma normalista, de saia plissada, os seios estourando no corpete e o caderno cheio de corações, com flechas de cupido e lágrimas, muitas lágrimas. Escrevo para jogar fora um bocado de demônios, fantasmas, coisas desse tipo. Mas, na verdade, eu quero ser apenas um fabricante de brinquedos, um fabricante de pinóquios” – Trecho de uma entrevista de Benito Barros à jornalista Mariza Casto para o jornal natalense Tribuna do Norte. Tempos depois, essa série de entrevistas feitas com as principais personalidades culturais do RN transformou-se no livro “Muito Alem do Nome”.


Ideário
Benito Barros

Se uma flor cair nos teus pés,
Apanha-a e goza esse instante de eternidade
e sente o quanto és forte

Se um homem cair aos teus pés
levanta-o e experimenta o que a vida
de melhor nos oferece;
a ciência da nossa fraqueza
e do quanto somos passageiros.

Se uma idéia cair aos teus pés,
Agarra-a e cria o mundo que ela sugere.
Fraco ou forte, eterno ou efêmero,
pouco importa como sentirás,
apenas aproveita bem.
pois, nesse instante, e só nesse instante,
serás Homem
- correrá em tuas veias a seiva
demoníaca do Ser humano...

NOTA: Homenagem do Macau em Dia pelo primeiro ano sem o professor Benito Barros, que muito contribuiu e incentivou a feitura desse blog. Na verdade, a data de falecimento é no final de dezembro, mas...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Benito Barros diz que o prefeito foi o grande derrotado nas eleições

Alex Gurgel
 Professor falou com exclusividade ao blog Macau em Dia.

Ainda no calor da campanha no município, o professor e poeta Benito Barros falou com exclusividade ao blog Macau em Dia, fazendo uma ligeira análise política das eleições e como ficou o atual quadro político macauense. De um modo geral, o professor Benito Barros assegura que os grandes derrotados nas eleições foi o prefeito Flávio Veras e o governador Iberê.

“Apesar do investimento maciço das forças governistas em Macau, a vitória de Iberê no município ficou muito além do esperado. O candidato a deputado estadual apoiado pelo prefeito, Lauro Maia, perdeu para o vereador Zé Filho, o mais votado”, analisou.

Benito Barros ainda cita a derrota do prefeito no distrito de Diogo Lopes, onde o vereador Oscar Paulino deu uma vitória significativa à governadora eleita Rosalba Ciarline e para a deputada estadual Márcia Maia. “Isso tudo está contrariando a vontade do prefeito Flávio Veras”, disse.

Mesmo muito longe de 2012, o professor acredita que a maioria das candidaturas que já estão postadas do lado governista são condenadas ao fiasco porque não têm ligação com o município ou tradição política. “O prefeito tem condições de mudar esse cenário de derrota para uma vitória em 2012 com um bom candidato. Mas, muita coisa ainda vai acontecer até lá”, enfatizou.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Benito Barros não vota naqueles candidatos com marcas de algemas nos pulsos

Professor e poeta Benito Barros defende que macauense deve votar em seus conterrâneos.

Faz muito tempo que um filho de Macau não ocupa uma cadeira na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte e ninguém lembra um nome macuense que tenha sido deputado federal ou senador. Porém, há uma atmosfera na cidade onde aponta que os macauenses devem votar em seus conterrâneos, valorizando os candidatos de casa.

Os candidatos de Macau que estão na disputa são: o vereador Zé Filho e Arapuá como candidatos a deputado estadual e Junior de Sindicato, representante do Partido Verde, candidato a deputado federal. E ainda tem o nome do deputado Luiz Almir, um macauense por afinidade que morou na Alcanorte durante mais de 11 anos e foi um dos primeiros radialistas da Rádio Salinas.

Confirmando a tese que os macauenses votam nos filhos da terra, o professor e poeta Benito Barros declarou seu voto para Zé Filho (deputado estadual) e Junior do Sindicato (deputado federal). “Além de serem macauenses, nenhum dos dois candidatos não têm marcas de algemas da Polícia Federal em seus pulsos”, declarou o professor Benito Barros.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Um ano sem o imperador da Casqueira

Foto: Alex Gurgel
1º Aniversário de falecimento do poeta e professor Benito Barros
Texto: João da Mata

“Dezembro chegando.
– Aleluias de pastoris,
Lapinhas e fandangos.
Alegres passos
De Bumba-meu-boi
Em noites de navegar.”
Benito Barros

No Natal do ano passado ele falecia no hospital Promater. Tinha muito planos em andamento. Entre eles, deixar para Macau uma biblioteca de autores note-rio-grandense. Passado esse tempo, o projeto ainda engatinha. Alguns amigos tentam levar o seu plano adiante. Seria uma grande homenagem ao poeta que fez tanto por sua terra e cultura.

Existe uma seta do tempo. Cuidado. É frágil. Não vire. A Caixa onde hoje cospes e jogas teus dejetos já transportou cristais. “Tempo aziago, onde estavam que não percebeu as tramóias do enganador, as trapaças do invejoso?”. O Poeta Benito Barros sabia que seu tempo é hoje e por isso tinha pressa de viver e gritar pela degradação da memória e do “Flamboiã Assassinado”.

Em “Macauísmos – Lugares e Falares Macauenses” (Imperial Casa Editora da Casqueira 2ª ed. 2001 Revista e Ampliada,) ele traça uma cartografia sentimental de sua cidade amada, e divide o livro em três tópicos: Matulão de Sonhos, Toponímia e Falares. Macau, a própria cidade do já teve. “… dizem que velho Frade por aqui passando e por motivos que ignoramos, ao retirar-se para sua terra, batendo os seus chinelos uma no outro, pronunciou estas rijas palavras numa quadra que ainda é declamada em várias bocas: Sal, canoa e peixe seco / É de Macau a trindade!… Ciência, moral e virtude, É sua odiosidade” (op cit p. 283).

O Livro abre com o belo soneto Cidade Morta do poeta Fagundes de Menezes: os fantasmas desfilam nas calçadas / erguendo sobre as mãos o tempo morto / resquício de um outrora inda insepulto / transportando em galeras flamejantes…. ; o que já denuncia a cidade de Macau que o poeta via tentar resgatar de um passado de glórias e de um presente feito de fantasmas e escombros. Uma “rápida e confusa memória- quase réquiem – de uma triste cidade”, diz o poeta da Praça da Conceição.

No belo livro “Réquiem para o Infinito”, BB decreta a morte do infinito. “Meu infinito era moreno e doce e navegava solerte minha alma… Implorei, inútil, um troco aos meus carinhos, “a inusitada paixão”.

Benito era um poeta da marginália e das grandes epigrafes. Impossível separar seus livros de sua maior obra; sua vida, vivida sofregamente e bebida em grandes tragos. Benito cita Álvaro de Campos para constatar “já não há mais infinito. Movimento dos barcos para nenhum cais nem paz. E para vocês que catam na caixa (com a seta invertida); fodam-se! A hora é dos desesperados. Há só dor e suor em meus poemas. Pobre Ícaro: seu vôo já não carece de asa, só de pena”.

Tenho impressão que Benito sabia que ia morrer numa noite feliz, véspera de Natal, recitando os Versos Íntimos de Augusto dos Anjos que ele tanto amava e podia servir como epigrafe da sua obra-vida. Vês! Ninguém assistiu ao formidável / Enterro de tua última quimera. / Somente a Ingratidão – esta pantera – / Foi tua companheira inseparável!

Benito foi professor, bibliófilo, poeta e escritor. O seu ofício de escriba pode ser sintetizado nesse breve trecho transcrito do livro “Além do Nome”, de Marize Castro (pp. 208 ): “Escrever é o momento mágico que nos transforma em homens e em deuses. Escrevo como forma de catarse. Eu me considero uma normalista, de saia plissada, os seios estourando no corpete e o caderno cheio de corações, com flechas de cupido e lágrimas, muitas lágrimas. Escrevo para jogar fora um bocado de demônios, fantasmas, coisas desse tipo. Mas, na verdade, eu quero ser apenas um fabricante de brinquedos, um fabricante de Pinóquio”.

Lembro seu belo ideário que diz das nossas fraquezas e da efemeridade da vida:
Se uma flor cair nos teus pés,
Apanha-a e goza esse instante de eternidade
e sente o quanto és forte
Se um homem cair aos teus pés
levanta-o e experimenta o que a vida
de melhor nos oferece;
a ciência da nossa fraqueza
e do quanto somos passageiros.
Se uma idéia cair aos teus pés,
Agarra-a e cria o mundo que ela sugere.
Fraco ou forte, eterno ou efêmero,
pouco importa como sentirás,
apenas aproveita bem.
pois, nesse instante, e só nesse instante,
serás Homem
- correrá em tuas veias a seiva
demoníaca do Ser humano…

Falares Macauenses
Alguns falares macauenses são semelhantes aos da capital do RN, e outros são mais específicos e conservam o sabor local.
As pregas – importante, besta. Também fala-se: As pregas de Quelé.
Boreste – o ânus
Botar queixo- fazer-se de rogado, importante
Brita – arroz
Caçuá em besta – boca de bode
Cambão-de-gola – pênis
Capar o gato – sair
Cantiga de Cu- diz-se de coisa que nunca se acaba
Chulado- embriagado
Colar o peru de féria – complicação
Comida-de-rabo – Carão, batido
Cu-da-gata- importante
Tico-tico- dinheiro

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Dia de Benito é celebrado em Macau

Fotos: Nilton Marcelino (o Gringo)
Chorões do Asfalto tocaram em homenagem ao Dia de Benito, no último sábado.

 O dia 21 de abril já entrou para o calendário de eventos históricos de Macau, não por ser o Dia de Tiradentes, pura coicidência, mas por ser o dia do natalício do intelectual macauense Benito Barros. Capitaneado pela produtora cultural, empresária dos din-dins Me Chupe, jornalista e blogueira, Dorotea Dantas, o Dia de Benito foi comemorado em Macau durante todo o dia de sábado.

Amigos, familiares e fãs se reuniram na manhã do derradeiro sábado, no Bar da Nilza, onde está funcionando a Rodoviária, local em que Benito Barros costumava tomar uma cerveja no final da tarde, também onde passou mal e foi levado para o hiospital já com sintomas do acidente vascular que causou seu falecimento na Promater, em Natal.

Ao som do chorinho dos Chorões do Asfalto e da Banda Filarmônica, o Dia de Benito foi o momento para relembrar do eterno Imperador da Casqueira, Bena I, autor de um das mais importantes obras para a literatura macauense, o livro chamado “Macauísmos”. Amigos e familiares recitaram poesia, contaram causos envolvendo o próprio Benito Barros e cantando as músicas que ele gostava.

Veja algumas imagens da festa, clicadas por Nilton Marcelino (o Gringo):















segunda-feira, 16 de maio de 2011

Benito vive na lembrança

Mural em homenagem à Benito na entrada da UFRN, Campus de Macau
Da Redação

Passado quase seis meses de seu falecimento, Benito Barros ainda deixa saudade naqueles macauenses que tiveram o privilégio de conviver com o poeta e professor. No mural da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Macau, os amigos fizeram uma bela homenagem ao seu mais ilustre coordenador.

Fotos de Benito Barros, clicadas pelo editor do blog Macau em Dia e jornalista Alex Gurgel, ilustram as paredes do Campus de Macau, junto com poemas e mensagens dos amigos e admiradores de Benito. Mês passado, a jornalista e agitadora cultura Dorotéa Dantas criou o “Dia de Benito” a ser comemorado todos os anos no dia 21 de abril, data do natalício do poeta.

Nesses Momentos
Benito Barros
In “Um Ser tão...”, editora Virtual Books, Pará de Minas MG, 2009.

Eis meu únco remédio
para esses momentos de lucidez suicida:

a nuvem vive eternamente no olhar.
Da pedra pouco ou nada sobrevive.

E, se sou nuvem ou pedra,
por perder o tempo
pensando na vida?!

E então, ávido pelo desviado tormento,
as gamboas da incerteza renovam-me
o peito encharcado de esquecimento.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Professor da UFRN alerta: “O avanço do mar em Camapum vai continuar”

Foto e Texto: Alex Gurgel
O professor Benito Barros afirma que a cortina de contenção que foi construída na praia de Camapum não será suficiente para segurar o avanço do mar.

A grande preocupação da população macauense é com o crescente avanço do mar na Praia de Camapum, que acontece desde a década de 80. Nesse tempo, a região sofreu um grande impacto ambiental provocado pela construção da estrada para a praia de Camapum, quase toda executada por aterramento, o que provocou o fechamento de gamboas e destruiu uma boa área de manguezais.

O coordenador do Campus da UFRN em Macau, professor Benito Barros, acredita que a barreira de contensão que está sendo feita pela prefeitura para segurar o avanço do mar não vai resolver o problema. “Eu creio que está obra seja pior. Quando construíram o calçadão, a praia tinha mais de 20 metros de areia. Hoje, não há quase nada na faixa de areia de praia”, alertou.

Ele afirma que a construção do calçadão em Camapum pode colocar em risco a ilha de Alagamar porque o mar está avançando e cavando pelas laterais do calçadão. “Na entrada do rio em Alagamar está quase acabado por causa do avanço do mar. Não vai demorar a o mar chegar a parte de Cuba, nas residências”, preconiza.

Benito Barros acha que a solução para frear o avanço do mar é o surgimento da antiga Ilha de Manoel Gonçalves, que hoje é um banco de areia, somente possível ver na maré baixa. “Eu creio que uma cortina de pedras depois do barranco de areia fará ressurgiu a velha ilha de Manoel Gonçalves, que era uma proteção natural existente há anos atrás”, disse

A praia de Camapum tem cerca de seis quilômetros de extensão. Mas, a praia é quase toda privada. Pública mesmo somente 200 metros de frente e 200 metros de fundo. O restante da área pertence às empresas que extraem sal marinho. Apesar de ocupar uma pequena área, Camapum tem 01 parque de vaquejada, 03 pousadas e 16 barracas.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

UFRN faz homenagem à Benito

Benito Barros receberá justa homenagem da UFRN

Em reconhecimento aos relevantes trabalhos em favor da educação superior em Macau, pela sua luta como educador e sua intelectualidade aguçada, o novo Campus de Macau da UFRN receberá o nome do professor Benito Barros, ex-diretor do próprio Campus que faleceu no final do ano passado.

A solenidade de inauguração acontecerá no próximo sábado, dia 21 de maio, a partir das 10 horas da manhã, na sede de antigo CRESM, à Rua Padre João clemente. A cerimônia terá a presença o Reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Ivonildo Rêgo e a Secretária de Educação a Distância, professora Maria Carmem Freire.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Macau vive literatura

Fotos Alex Gurgel
Professor Tião Maia lançará hoje o livro de cordel sobre Benito Barros, durante o Encontro Macauense de Literatura, na Praça da Conceição. 

Por Alex Gurgel | jornalista
alexgurgel@com-texto.com

A cidade salineira vive um clima de literatura de cordel por causa do Encontro Macauense de Literatura, promovido pelo Núcleo de Pesquisa e Estudo Cordelista (NUPEC) de Macau, tendo a frente o professor e poeta Tião Maia. “Essa edição do entro temos como tema o cordel. Isso não quer dizer que todos os Encontros Literários sejam com cordel,” disse Tião Maia, ressaltando que vai explorar outros gêneros nos próximos encontros.

Na ocasião, foram lançados os livros: “A Peleja de Benito na Porta do Céu de”, do professor e poeta Tião Maia; e o livro “Escritas de Um poeta”, do professor Manoel Prazeres. O cordel contando as proezas do professor Benito Barros é uma homanegem de Tião Maia ao saudoso amigo. Entre outras atrações houve a apresentação dos poetas e cantadores de viola José Lúcio e Lenilton Ribeiro de São Vicente (RN) e a presença do violeiro do Piauí Zé Viola.

Segundo o poeta Tião Maia, o projeto Encontro Macuaense de Literatura tem como objetivo de incentivar, capacitar, divulgar e realizar eventos que venham engrandecer a linguagem da literatura de cordel, e com isto, contribuir para o desenvolvimento da cultura e a educação da nossa terra. Além dos lançamentos de livros de escritores macauenses, houve exposições e informes literários do cordel e o encontro de pessoas que admiram a literatura de cordel em Macau.

Tudo começou na noite de ontem, na Praça Olda Avelino, no conjunto habitacional da Cohab. Os professores Tião Maia e Manoel Prazeres prometem outro grande show de viola poesia e muito cordel, na noite dessa quinta-feira, a partir das 21 horas, na Praça da Conceição, no coração de Macau.

Violeiros cantando desafios na Praça da Cohab.
Cantadores José Lúcio e Lenilton Ribeiro, de São Vicente (RN).
O cantador e poeta piauiense Zé Viola, convidado especialmente para o envento.